Sobre a Criação


A imagem de um quadro de família de Jan Steen foi o que motivou a recriação do projeto. As cores fizeram refletir sobre o contraste da vida cotidiana e a melancolia de um outono europeu.
A proposta de criação de Fragmentos de uma Solidão surgiu num momento muito especial. A ideia do projeto se situa em pensar o sentimento de melancolia que a solidão na maioria das vezes é retratada no contexto social e familiar. A pesquisa artística apresenta questões relativas a modos de existir nesse ambiente.
Aqui será falado um pouco do caminho percorrido durante essa recriação.

Escolha das Cenas:

Partiu-se de um estudo videográfico do espetáculo do HIS Contemporâneo de Dança, chamado Solidão, solidões... (2001).
Na continuidade, foram escolhidas determinadas cenas que buscasse apresentar discussões que se encontravam atravessadas em determinados questionamentos da sociedade pós-fordista. Juntos, as cenas foram sendo definidas, a partir daí deu-se inicio ao processo colaborativo.
Buscando outros argumentos que dialogassem com a discussão sobre o assunto foram sendo vistos vídeos, apresentados textos para leituras, livros e foram sendo utilizadas metáforas na concepção das performances.
A trilha foi sendo construída em diálogo com os alunos e nesse percurso foi criado um blog, uma page e um grupo fechado no facebook.
A ideia de processo compartilhado nas redes virtuais visa além de tudo, promover uma maior visualização e uma ampliação da discussão em relação ao que esta sendo construído cenicamente.
Na continuidade foi pedido também um caderno de anotações como diário pessoal para cada dançarino.

Videografia:

No decorrer do processo foram sendo vistos filmes e compartilhando imagens com as cenas da montagem. Imagem quando utilizada em processo de criação parece ser muito importante por ajudar na composição das ideias, na criação dos personagens e também na construção dos figurinos, cenografia, cenotecnia e maquiagem.
Foram feitas sugestões de filmes pelos dançarinos, amigos, artistas e coreógrafos, a citar:
As Horas, Camille Claudel, Amelie Poulan, Melancolia.

Corpo para cena:
Pensando em como preparar o corpo para esse projeto foram utilizados o método Pilates e os estudos de Klauss Vianna. O treinamento técnico, embasado no método desenvolvido por J. Pilates foi escolhido porque, através de uma experiência pessoal ao longo de 18 anos, foi percebida uma evolução corporal do corpo do bailarino, creditando a este método o fato de ser completo dentro do perfil contemporâneo. Klauss Vianna fala de incorporar a emoção na feitura da aula, pensando nesse conceito, estendeu-se esse entendimento ao processo de criação. Ambos os estudos além de potencializar pensar o corpo sem dualismos preparam também cenicamente. Consciência, resistência e agilidade foram também trabalhados e exigidos durante a montagem coreográfica. Ressaltou-se o seguinte argumento: “Pensar seu corpo, utilizar potencialmente sem exagerar”.
Referenciais:
Os referenciais teóricos surgiram para compor o argumento cênico, foram feitas algumas sugestões, mas o recorte é necessário pelo próprio encaminhamento do projeto e a necessidade de ser prático pelo tempo de montagem. Durante o processo aconteceu um estudo para criação de um seminário que ocorre um mês antes da estreia e antecede a apresentação que será no SESC, durante o projeto Engenho de Composição, que é uma atividade de extensão dos cursos de Dança e Teatro da UESB/Jequié. A ideia do seminário é partilhar com os professores e alunos o processo criativo do espetáculo. Durante o exercício feito para apresentação do seminário, muitas discussões foram feitas acerca do processo, assim foram linkadas algumas músicas e imagens para contextualizar a discussão. As metáforas utilizadas foram: gigante, busca, buraco, luta, tristeza, ódio, tensão, dentre outras.
E estes são os textos e livros que estamos estudando:
Bauman, Zigmunt. A voz do silêncio de Lorna. In: 44 cartas do mundo líquido. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.
Agamben, Giorgio. O amigo. In: o que é contemporâneo?
Didi-Huberman, Georges. Sobrevivências. In: Sobrevivência dos vaga-lumes.
Albuquerque, Iara Cerqueira Linhares de. Estratégias Coreográficas no processo artístico de Marcelo Evelin. Dissertação de Mestrado, p. 12 a 24, UFBA.
Rilke, Rainer Maria. Cartas a um jovem poeta. Porto Alegre: L&PM, 2007.
Vianna, Klauss. A dança. Klauss Vianna e Marco Antonio de Carvalho. São Paulo: Siciliano, 1990.

Iara Cerqueira.

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